O minimalismo como nós o conhecemos passou à história.
Não quer dizer que ele tenha acabado por completo, mas aquela ideia do cenário clean foi chão que já deu uvas.
E a culpa é do meio corporate.
Ora viajemos um bocadinho atrás no tempo.
O minimalismo surgiu como uma fuga ao novo-riquismo.
Os novos ricos enchiam-se de estaturas, enfeites e objectos simbólicos preenchendo espaços enormes com decorações ostensivas sem qualquer critério de bom gosto.
Durante muitos anos o minimalismo combateu ouro, fontes, tunnings, objectos nos retrovisores, azulejos, padrões de flores e animais, rendinhas e estatuetas de meninos a mijar.
A arte do minimalismo é a subtileza, aquele sentimento que o pobre de espírito mas rico de carteira não consegue encontrar.
Cenários práticos, higiénicos e muito hi-tech conduziram-nos a ambientes clean, com pequenos pormenores subtis, como se todo o impacto fosse esbatido em marcad'água.
Mas o ambiente corporativo abusou deste conceito. O branco, o frio, o metal e o vidro dominaram o espaço, descaracterizando tudo e todos. Nas roupas padronizadas onde o mais livre dos pensadores se torna limitado nos seus comportamentos perdeu-se alguma coisa.
Contudo, ainda queremos nos manter afastados da estética da floribela e por isso é necessário encontrar um compromisso.
Então, com alguma subtileza encontramos sinais fortes que combinam suavemente com um ambiente.
Venha VanGogh; retornou importado do norte da Europa o papel de parede, o laranja vivo vive com o verde alface num fundo branco e um candeeiro retro suspende-se da parede iluminando chapeus e cadeiras retro, com uma pitada de art-decô.
Da boina de velho à parede em pedra tudo se permite se for devidamente doseado.
E agora, como é que o simples mortal vai conseguir enquadrar tudo isto ?
Uma coisa vos garanto: os designers vão estar em grande, os decoradores vão estar ao rubro. Já não há limites à imaginação e só a falta de gosto pode cair em saco roto.
Eu próprio que já me considerei dos grandes adeptos do minimalismo agora digo-me:
RENDO-ME
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