Sunday, October 01, 2006

O lado negro do intelectualismo

Imaginem que convidamos um intelectual a visitar um bordel para conhecer um tipo de música e dança:

" Todo o ambiente é fora do vulgar. A música é deprimente e agressiva, mas extremamente sensual. As prostitutas dançam com roupas provocadoras e os clientes vestem-se elegantemente. A dança contém movimentos em que se arrastam os pés e o cliente arrasta a prostituta como um objecto, tendo contudo uma sensualidade enorme, com movimentos bruscos e agressivos para equilibrar."

É claro que o intelectual vai recusar este convite: "eu não gosto desses sítios, não gosto dessas músicas e dessas danças. Gosto de algo com mais conteúdo."

Se o mesmo intelectual fosse a Cuba e tivesse hipótese de ir a um bordel onde se dançasse o tango e mantivesse toda a atmosfera, hábitos e rituais da época, ele certamente não perderia a hipótese:
"é um previlégio ver esta música e dança tão únicos no seu verdadeiro ambiente, com tudo de belo e horrendo que possa incluir."

O que podemos concluir?

Um intelectual é alguém que demora demasiado tempo a descobrir o que é cultura.

1 comment:

Manel Furtado said...

Um "intelectualoide" talvez... os verdadeiros intelectuais redefinem-no e reinventam-no.