Báh! Para ser sincero nem sei se é vivo.
Mas até um bruto como eu de vez em quando se depara com algo tão belo noutro blog, que sente um desejo enorme de fanar e trazer para aqui.
Já li várias vezes e continuo a adorar.
António, perdoa-me por não saber quem foste.
Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhai-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
(António Gedeão)
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhai-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
(António Gedeão)
1 comment:
Quando estudava na preparatória de S. Julião da Barra e ainda não gostava da minha língua tive de procurar explicações de Português para ultrapassar o problema de ter umas oligofrénicas (com poucas excepções) a tenatrem ensinar-me a minha lingua. POesia dizia-me pouco: de acordo com o que diziam era saber decompor, escrever respostas bonitas, saber contar a métrica, fazer o esquema da rima e debitar o que se tinha decorado. Sempre me recusei a estudar semelhantes matérias. Sempre as odiei e considero-as na maior parte dos casos um absurdo anacrónico. Quando fui para a minha primeira explicação uma boa professora perguntou-me qual era o meu problema se as minhas notas não eram más. Expliquei que gostava de ciências e que abominava poesia (quer dizer a sua análise tal como estava estabelecido). Foi nessa altura que ela me deu este poema para ler. Gostei mas o meu trauma era tal que não me tocou como me toca hoje. E viva a poesia que eu tanto amo e que tanto tento escrever sem mostrar. Viva Gedeão (acoselho a antologia poética que desenvolveu de todos os periodos da literatura portuguesa). Que amem como eu o que foi escrito por Oneil, Herberto Helder, Cesário, Antero, Alba... e todos os óbvios grandes vultos. Aproveita enquanto é tempo valter! Atira-te ao que de melhor se escreveu na nossa língua.
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