Monday, April 24, 2006

Só ama a outro quem não se ama a sí próprio

Esta frase é verdadeira, contudo não desanimais que o amor não é característica dos fracos, mas sim dos vivos. Dos verdadeiramente vivos.

Poderíamos dizer que numa primeira análise a vida de uma pessoa para o próprio é a totalidade. O valor da vida de cada um para si é tudo.

Mas num Universo em que tudo é relativo, a totalidade é a unidade e a unidade é a totalidade.

Se uma vida tem o valor de 1, então duas vidas teriam o valor de 2. Não faz sentido dizer que uma vida vale mais ou menos do que 1, se tivermos por base a totalidade com que cada um se valoriza.

Mas algumas pessoas neste mundo encontram algo ou alguém que vale mais do que um, alguém que vale mais do que a sua vida. Estas são as pessoas que amam. Amar é valorizar o fruto do seu amor acima do “eu”, acima do "tudo".

Mas o que acontece à unidade quando encontra algo que vale mais do que a totalidade, algo acima de 1? Essa vida é elevada até esse novo valor.

Mas o fruto do amor não tem de ser um amante ou uma amante. Mais provável será que seja um filho. Mas poderá também ser uma causa, uma bandeira ou uma crença.

Como se explicariam todos aqueles que nesta ou naquela ocasião se tomaram por Martim Moniz, sacrificando-se no purgatório da vitória e da derrota para que o seu sonho fosse alcançado?

É verdade que para amarmos algo ou alguém, temos que amar para além do nosso ser, para além da nossa unidade, para além da nossa totalidade. Para darmos um valor mais elevado e mais digno à nossa vida temos que reduzir primeiro o valor da mesma vida.

Mas também, de quanto valor seria coberta uma vida se não existisse para lá da própria vida?

Se ao procurarmos aqueles que amamos temos de nos olhar no espelho, então estamos sozinhos,
perdidos numa vida que se fecha sobre si mesma, como um ser inanimado que contempla imagens que nada mais são do que as suas próprias sombras alumiadas por candeias numa gruta fria e sombria.

E tu? Amas alguém ou a ti próprio?

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