Tuesday, September 26, 2006

As 4 fases da consciência

Antes de existir a percepção do eu apenas existem imagens: imagens visuais, imagens sonoras, imagens sensoriais, imagens olfativas...
Algumas imagens são boas, outras imagens são más. Existe uma noção de bem e de mal, mas apenas baseado numa noção de prazer.

Quando a criança se apercebe da sua própria existência passa a um novo nível de consciência. A partir daí reconhece o “eu” e o “resto do mundo”. Contudo esta é uma fase muito pobre da consciência. O bom é quando o “eu” supera o “resto do mundo”. O mau é quando o “resto do mundo” supera o “eu”.
É nesta fase que a competição toma significado. Ao competir o indivíduo assume que o seu adversário representa o “resto do mundo”. Assim, se ele ganhar será o melhor, o maior, o campeão. Se ele perder terá de encontrar uma justificação para a sua derrota num factor externo, colocando sempre a culpa em “o resto do mundo”.
O mais curioso nesta fase é a confusão em que incorrem os que dela fazem parte.
Pela boa utilização da linguagem ser bom é algo absoluto, enquanto ser melhor é algo relativo. Isto porque ser bom depende apenas de nós, enquanto ser melhor depende tanto do outro quanto de nós.
Mas para a pessoa que se encontra nesta fase de consciência ser bom é algo relativo, enquanto ser melhor é algo absoluto.
Reconhecer alguém que se encontra nesta fase é fácil pois recorre muito à competição, gosta de se comparar e recorrentemente fala dos outros como de um só, fazendo generalizações “vocês fazem ...” ou “fazem-me a mim, por isso eu faço também”.

A terceira fase acontece quando o indivíduo consegue decompor o resto do mundo em vários indivíduos e compreende que o outro é apenas um outro eu e que o eu é apenas um outro outro.
Isto retira o significado da competição, não interessa ser melhor que o resto do mundo, pode interessar ser melhor do que o outro, masde nada serve porque somos apenas melhores que um, não somos melhores que o mundo.
Nesta fase o indivíduo apercebe-se que ao julgar os outros está a julgar-se a sí próprio e evita consequentemente julgar para que não caia sobre sí um peso maior. Aqui surge a ética “ não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti” e a verdadeira noção de justiça “se percorrermos o mesmo caminho devemos alcançar o mesmo resultado, pois na génese nós somos iguais”.
A terceira fase consiste em perceber que “o outro é eu”

A quarta e última fase consiste na percepção de que eu sou o outro, de que somos todos um. Todos estamos ligados.
Quando eu amo eu sou todas as pessoas que amam, quando eu odeio eu sou todas as pessoas que odeiam, quando eu minto eu sou todas as pessoas que mentem, quando ofendo sou todas as pessoas que ofendem.
Ao praticar o mal, eu afasto-me desta ligação, pois não vou aceitar o mal das minhas acções, vou encontrar uma justificação para a minha fraqueza, vou exteriorizar as responsabilidades das minhas acções. E como pode alguém que tenha atingido esta fase exteriorizar a culpa e a responsabilidade se o “eu é o tudo”
Ao completar o desenvolvimento da consciência voltamos ao início. Não existe princípio nem fim, não existe o aqui e o ali, não existem fronteiras nem limites porque eu sou tu e nós somos tudo.
Novamente existe apenas o bem e o mal, o prazer e a dor. Quando um sofre todos sofremos, quando um celebra todos celebamos.

Ao leres este texto, deves ter concluído que estavas na quarta fase ou pelo menos na terceira, mas sê honesto contigo próprio e analisa os sinais.
Embora o todo seja indivisível a unidade é divisivel. Todos nós temos algo que vive isolado do mundo e outro algo que vive em partilha. Falta saber quem controla as nossas acções.

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