Existem dois tipos de moldes da vida, que à partida parecem semelhantes, mas possuem grandes diferenças.
Uns são os objectivos, os outros são os sonhos.
Os objectivos aparentam ser extremamente presentes. São caracterizados pela sua noção de realidade, de possibilidade de serem atingidos, mas acima de tudo são caracterizados pela sua perspectiva de curto prazo.
Os sonhos são caracterizados por serem pouco prováveis de atingir. Demoram mais tempo e geralmente não acreditamos que os conseguimos atingir. Mas são esses que recheados do que há de mais foleiro e pindérico, nos alimentam a alma.
A escolha não é fácil.
No dia a dia os objectivos assumem a maior importância enquanto os sonhos vão sendo deixados para trás. Mas todos os objectivos são apenas importantes enquanto estão a ser atingidos e há uma característica presente em todos nós: os sonhos são nossos, enquanto que os objectivos não nos pertencem.
Mas pelo mundo inteiro observamos espíritos a serem domesticados, permitindo que se esqueçam os sonhos e respondendo apenas a objectivos, como o cavalo chicoteado que apenas quer fugir ao chicote do dono, como o burro que persegue a cenoura pendurada da carruagem que estará sempre demasiado à frente. São esses espíritos domados que se esquecem de onde vêm e para onde querem ir.
Este post é dedicado à alma do João que foi colocada na loja de penhores da Av. Eng. Duarte Pacheco.
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